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2008 - Dia 15, 16, 17 e 18

12/04/2008 13/04/2008 14/04/2008 e 15/04/2008

Décimo quinto, sexto, sétimo e oitavo dia por Sérgio Holanda:

Acordamos cedo e fomos arrumar os veículos para a segunda etapa da Expedição (Humaitá –Manaus, pela famosa BR-319, rodovia federal construída na década de setenta, ligando Manaus por chão ao restante do Brasil).

Despedida dos participantes Jeison e Nataniel Krauspenhar

Antes de sairmos de Humaitá, abastecemos os veículos e tiramos uma foto com a família do Muniz, Julia e Francisco Cruz e seus filhos, que moram em Porto Velho e se deslocaram por mais de 200 km para rever o parente distante.

Partimos de Humaitá ás 9:00 hs e tivemos pela frente mais de 100 km de tranqüilidade; asfalto, pequenos buracos e piso regular. Nesses 100 km observamos que a estrada não é movimentada, já que mesmo em boas condições, nos deparamos com apenas um veículo.

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Após 120 km a estrada começou a se transformar em buracos e lama. Resumindo; rodamos apenas 246,5 km nesse dia, uma vez que já estava escurecendo e com as atoladas dos veículos a luz estava indo embora e tínhamos de achar um local para acampar.

Nesse trecho não encontramos absolutamente ninguém e nenhuma casa ou local habitável para acampar. Como a estrada era composta de trechos com lama, pedras, asfalto perfeito e buraqueira, procuramos uma parte mais alta e asfaltada para acamparmos.

Nossa primeira noite na estrada foi um pouco apreensiva. Alguns com medo dos animais selvagens e outros com medo de algum bandido ou algo parecido. Tentamos chegar a torre de transmissão da Embratel para pernoitar dentro da cerca, mas anoiteceu e ainda estávamos tendo de desatolar os carros. Então resolvemos acampar no primeiro lugar seco. O incrível desse dia foi acampar no meio de uma rodovia federal, inimaginável e louco.

Como estávamos em seis veículos, paramos três de um lado e três do outro; armamos uma lona entre eles e os corajosos suas redes entre os carros. Nessa hora ficou provado que o rack do Troller é resistente uma vez que duas redes foram armadas nele (sendo uma com capacidade de 200 kg).

A noite foi tranqüila, tirando os roncos de Themoteo, que dormiu na barraca e Rodrigo que dormiu no carro, os sons que se ouviam eram dos sapos, jacarés, bacuraus e outros animais noturnos. Nesta noite a empolgação era enorme. Todos festejando o acampamento, os primeiros 30 km de lama e o inicio do ranking dos que atolaram mais. Fizemos um jantar coletivo e bebemos um pouco de cerveja e muito refrigerante, mal sabíamos o que nos esperava no próximo dia...

No segundo dia de BR-319 descobriríamos o motivo de termos sido informados que a cerca de 90 dias não passava carro nenhum....

Acordamos cedo. As 7:00 hs já estávamos com os veículos prontos para partir, acampamento recolhido e o lixo na caçamba da Hilux. Começamos a nos deslocar, quando logo a frente nos deparamos com os primeiros atoleiros e muito trabalho pra desatolar; o sol a pique queimava nossa pele e a temperatura na casa dos 50 graus -que lugar quente e húmido-.

Em quatro horas e meia, só conseguimos nos deslocar 12 km e encontramos a torre onde deveríamos pernoitar.

Por lá encontramos uma equipe da Embratel fazendo manutenção e conversamos sobre o trajeto, aproveitando para tomar um banho de mangueira naquele calor sufocante.

A Embratel possui torres de micro-ondas e cabos de fibra ótica ao longo da BR 319. Essas torres são utilizadas por viajantes para se abrigarem dos animais selvagens - mais precisamente das onças -. Aliás, é a Embratel que faz o reparo das pontes e do que resta da estrada, já que precisa dela para fazer a manutenção dos seus equipamentos.

Muitos dos trabalhadores que fazem estas manutenções estão a mais de 90 dias longe de casa, uma vez que é impossível sair para visitar a família (a estrada é praticamente intransitável, principalmente nesse período de chuvas). As torres estão localizadas a cada 40 km e por isso servem como referencial.

Num determinado momento o pessoal da Torre Brasil (cada torre possui um nome que a identifica), km 270, disse para irmos os mais rápido possível, já que chegava a hora da chuva e pra frente teríamos mais de 40km de atoleiros (além de um atoleiro pesadíssimo antes de uma ponte a qual uma equipe da empresa estava remontando). Também nos informaram que lá teríamos um trator, caso precisássemos.

No segundo dia só conseguimos nos deslocar por 107 km. Ficamos preocupados, já que tínhamos ainda mais de 400 km até o asfalto de verdade. Após diversas atoladas chegamos ao grande atoleiro, lama de um lado a outro da estrada e sem possibilidade de ir por um dos lados, um lado com um charco e outro com arvores e charco. Nesse atoleiro a Land Rover teve de ser desatolada com os guinchos duas vezes e na terceira vez só quando o trator da Embratel chegou (nesse momento estávamos a apenas 500 mts do acampamento da equipe que estava dando manutenção na ponte). O Troller de Themoteo conseguiu sair com o trabalho do guincho da Land Rover após quebrar seu guincho e danificar o cabo do guincho de Themoteo. O trator com seu guincho de 33 toneladas arrancou a Land Rover e
desatolou os carros de Carlinhos (Troller), Julio (TR4) e passou o Troller de Muniz, que resolveu não arriscar.

Passado o atoleiro, à noite chegava quando resolvemos acampar - novamente na estrada e de frente ao acampamento do pessoal da Embratel -. Aproveitamos para descer até um igarapé e tomar um banho revigorante (de roupas íntimas devido ao medo do famoso peixinho Candiru, que entra pelo canal do pênis ou do ânus). Feito isso começamos a montar o acampamento. A grande diferença para o primeiro acampamento foi a moral da tropa, baixa, uma vez que rodamos apenas 50 km em um único dia e começamos a ficar preocupados com o tempo. Fomos dormir cedo com um céu estrelado e uma lua crescente fantástica nos acompanhando. Novamente apenas Sérjão, Muniz e Carlinhos dormiram nas redes. Os demais em barracas e nos carros, por receio das onças.

 

Na manhã do terceiro dia saímos e menos de 1 km na frente a Land Rover atolou mais umas duas vezes. Perdemos mais de 1 hora (não podíamos mais contar com o trator, ele havia saído bem cedo para puxar madeira na floresta) até conseguirmos retirar a Land com o guincho da Hilux e do Troller de Carlinhos. No mesmo local o Troller de Carlinhos também atolou.

O deslocamento teve uma média melhor nesse dia. Mesmo com alguns atoleiros conseguimos retirar os veículos mais rapidamente. Com isso conseguimos chegar em Careiro às 20:30 hs e pernoitamos a apenas 120 km de Manaus. Na manhã do quarto dia na BR 319, pegamos uma balsa e atravessamos o rio em direção a Manaus. Além das lindas paisagens, vimos o encontro das águas dos Rios.

Nestes três dias inteiros, sumidos do mundo real, sem qualquer tipo de comunicação, observamos uma estrada ser consumida lentamente pela selva e pela erosão. Por muitas vezes parecia miragem; passávamos por trechos de quilômetros de asfalto bom e de repente entrávamos em um grande atoleiro.

Ou simplesmente rasgávamos a mata que invadiu completamente a estrada, além presenciar também alguns postos de gasolinas abandonados e outras construções que foram largadas junto com a estrada.

Ficou nítido p abandono em um trecho de mais de 300 km, pelo qual não cruzamos com absolutamente ninguém. Até 120 km após Humaitá ainda encontrávamos esporadicamente casas (em que inclusive fizemos algumas doações).

Contudo depois deste trecho só fomos encontrar civilização 300 km depois. As únicas pessoas encontradas neste caminho foram os funcionários da Embratel fazendo a manutenção das torres e das pontes que dão acesso, mas vale lebrar, são apenas trabalhadores que não moram por ali. Também ficou nítido que o governo federal e estadual não tem o mínimo interesse em preservar essa estrada. Talvez isso se deva ao fato de não existir mais madeira de valor econômico na região e nem um outro extrativismo ou pecuária que justifique mantê-la. Fora o fato de ser possível fazer este trajeto (Manaus a Porto Velho) de balsa em apenas dois dias.

Antes da chegada a Careiros, pegamos uma balsa e mais um pequeno trecho de lameiro, onde a Land Rover atolou novamente. Com isso tivemos a oportunidade de realizar uma boa ação; duas pick-ups Ranger vinham em nossa direção com um trator do exercito, que iria ajudá-los a ultrapassar esse atoleiro. Aproveitamos a situação para usarmos o trator para retirar a Land e conversar com os ocupantes das pickups sobre a situação da pista
adiante. Nesse momento, para nossa surpresa, fomos informados que eles estavam indo para Humaitá pela 319. Só que além de estarem em veículos sem preparo, sem pneus especiais, apenas uma das pickups tinha um guincho elétrico e também não tinham comida, água e outros equipamentos para poder vencer a estrada. Um deles havia dito que tinha feito o trajeto no ano passado, no verão, e que tinha levado um dia e meio (achou que seria a mesma coisa nessa época). Ficamos imaginando que aquela situação era caso de vida ou morte e graças a Deus nos escutaram e resolveram voltar para Manaus e irem de balsa pra Humaitá.

A BR-319 foi sacrificante para os veículos. No final todos os carros terminaram o trajeto com as pastilhas de freio no ferro. Inclusive dentro de Manaus o Troller de Themoteo travou a roda por causa da pastilha desgastada. Amanhã os Trollers, a TR4 e a Land vão trocar as pastilhas de freio. A Hilux desgastou as lonas de freio mas as pastilhas estão ainda meia vida. Após o último grande atoleiro o Troller de Themoteo teve o semi-eixo do lado esquerdo solto. Os parafusos de fixação arrebentaram, e ele passou a andar de 4x3 com os
bloqueios acionados nos lameiros e atolou apenas uma vez. A TR4 está com problema no alternador. O Troller de Carlinhos está com vazamento no semi-eixo e com escapamento pendurado. Além dos veículos os guinchos da Land Rover e da TR4 pararam de funcionar e o do Troller de Themoteo teve o cabo partido.

Durante o trajeto pela BR 319, além dos lameiros, outro grande obstáculo eram as pontes quase caindo. Algumas já reformadas, mas muitas caindo aos pedaços com madeiras podres, bases estragadas e com inclinações laterais devido as estroncas estragadas. Passamos por pontes que se mexiam e outras que exigiram trabalho em grupo para
serem superadas devido a sua precariedade e falta das madeiras.

Quando entramos na BR 319 não imaginávamos o quanto seriamos agraciados com tão belas paisagens e com tamanha aventura. O que podemos ressaltar é que quem tem espírito de aventura deve fazer esse trecho no período de chuvas. É algo indescritível e somente que fez sabe o que passamos. Além da aventura, passar pela 319 é estar
de perto com a natureza, com aves cruzando os céus sem preocupação com o homem, jacarés andando ao lado das pontes e tomando seu banho de sol no asfalto tranqüilamente.

Andar pela 319 é sumir por alguns dias da realidade é poder passar noites observando um céu estrelado e escutando a natureza, é contemplar Deus.

Agora a expedição começa o retorno pra casa, pegaremos uma balsa para Belém e de lá seguiremos pelo asfalto até Recife.

 

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Indice

  • 2008 - Dia 1, 2 e 3
  • 2008 - Dia 4, 5 e 6
  • 2008 - Dia 7, 8, 9 e 10
  • 2008 - Dia 11 e 12
  • 2008 - Dia 13 e 14
  • 2008 - Dia 15, 16, 17 e 18
  • 2008 - Dias finais da expedição
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