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Edição 2010

Diário de bordo da Edição 2010 da Transamazônica Challenge.



2010 - Dia 8 e 9

23/03/2010

8o dia da expedição

 

 

Saímos de Guariba em direção a Estrada do Estanho, que inicia após a travessia de balsa do Rio Rosevelt. Foram 55 km de estrada ruim, muita buraqueira e costelas de vaca. Estrada sem movimento, nesta época do ano mal passa um veículo por dia, mesmo assim só entre a balsa e Guariba.

 

No caminho da balsa o pessoal do Jeguinho, Hercules, Engels e George estavam gozando com o resto do grupo, tinham ficado em uma pousada no começo da cidade e como não tinha vaga para todos, os restantes foram para outra. A pousada, pertencente a uma capixaba e sua filha, possui um café da manhã espetacular, digno de qualquer hotel 3 estrelas, só que com tempero caseiro, enquanto o nosso era um pão com queijo e café fraco para cada um e pasmem o preço era o mesmo da diária. Então foi agüentar a gozação e continuar em direção a nossa maior aventura.

No caminho encontramos o Sr. Joaquim, proprietário de uma fazenda que iríamos desembarcar com os veículos e como o rio havia consumido a estrada ele nos permitiu conduzir pelo seu enorme pasto, com a ajuda de um funcionário, até o outro lado seco da estrada. O Sr. Joaquim nos alertou que deveríamos levar uma moto-serra e que o Alcyr, amigo de aventuras pela Amazônia e sua família estavam nos aguardando pelo caminho do Estanho.

 

O Alcyr é amigo que mora no estado do Rio e tem uma paixão por aventura em 4x4 na região norte. Esta paixão ele divide com seus parentes: irmãos, sobrinhos e primos. Marcamos de enfrentar juntos, o grupo TAC 2010 e a Família Neves a Estrada do Estanho.

 

Chegamos à balsa do Rio Rosevelt, após travessia e sempre escutando de todos da região que éramos loucos e que iríamos nos arrepender de seguirmos em frente, além de escutar que voltaríamos, mas nada nos impediria de seguir em frente. Os Neves estavam a nossa frente e com isso sabíamos que nos encontraríamos no caminho.

 

Rodamos cerca de 2 km dentro de um pasto com mato acima de 1 metro, não víamos o chão, mas confiávamos cegamente no funcionário da fazenda. Uso constante do 4x4 reduzido para não forçar a embreagem e poder ter maior controle de aceleração.

 

 

Saímos do pasto e estávamos oficialmente na Estrada do Estanho e nosso próximo objetivo era Machadinho do Oeste e Transamazônica. Nos primeiros quilômetros começaram as pontes de madeiras, precárias e algumas erosões mais complicadas, porem nada que mostrasse o que nos esperava pela frente.

 

Após alguns quilômetros começaram os areões, que estavam encharcados, não ofereciam riscos de atoleiro, mas muitas poças de água pelo caminho. Mais a frente às erosões começaram, algumas engoliam os veículos e outras nos obrigavam a andar em mais de 20 gruas laterais, perigo grande para o Jimny e o Jeguinho. Mas aos poucos fomos enfrentando os desafios e a Hilux sofrendo para abrir caminho. “Boi de Piranha” e “Bucha de Canhão” é chamado os que vão à frente abrindo caminho e pegando as “bombas” e a Toyota Hilux da organização, mesmo sendo o veículo com menos equipamentos de off Road, não possui LSD, bloqueio central ou de diferencial, foi aos poucos, com a ajuda dos pneus agressivos e a suspensão Ironman vencendo os obstáculos, nem que fosse com a ajuda de uma guincho elétrico modelo 12000 LBS da Ironman.

A Hilux entrou em uma erosão muito alta e ficou presa, saindo apenas com o guincho e uma patesca, mas nada comparado ao que viria pela frente. Após as primeiras erosões, que nem eram tão grandes assim, se comparadas às erosões no meio da selva, chegamos aos lajedos, cerca de 8 km de rochas descobertas, pontiagudas e cortantes, com erosões fortes e seguimos por cima desse piso, com baixa velocidade em primeira e segunda reduzida.

 

Após o lajedão chegamos a mais areões e o começo da selva fechada, onde a estrada cortava a selva com muitas nascentes de água minando na estrada e destruindo o caminho. Chegamos às grandes erosões, que muitas vezes engoliam os veículos e exigiam muito do sistema mecânico e do braço do piloto, bem como do Zequinha que ficava orientando de fora. As erosões foram o grande desafio para a Hilux, veículo com entre eixo longo e sem bloqueio, sofreu, mas precisou apenas de um puxãozinho para sair de uma grande erosão e depois puxou o Jimny que entrou e não conseguia sair. Nessa erosão o ponto forte foi à maestria de Hercules pilotando o Jeguinho, como todos sabem virar uma Bandeirante é fácil, evitar que ela não vire em uma grande erosão é uma arte e Hercules mostrou o que é braço!

 

 

Nas erosões um a um os veículos foram ficando e precisando de ajuda, mas no final todos foram acima dos seus limites e mostraram porque estavam ali, mostraram a força do braço e o controle do medo. Nas erosões todos chegaram a momentos críticos de virar com o veículo.

 

 

Começaram as pontes caídas, mas com possibilidade de passar por dentro dos riachos, já avistávamos as marcas dos pneus das camionetes dos Neves, que estavam a nossa frente. Alguns trechos mais pesados de erosões, verdadeiras acrobacias com nossos veículos para não virar de lado nem de frente ou na saída para trás, simplesmente uma show para os que amam desafios.

 

Eram três da tarde quando chegamos a uma ponte de toras que havia sido levada pelo rio, mas os Neves haviam feito um arrumado que permitiram passar, mas este arrumado não seria o suficiente para nossos veículos, tínhamos três bitolas diferentes entre os cinco veículos e por sermos em maior número a carga seria maior em um intervalo de tempo menor. Mas o grande trabalho fora feito pelos Neves em pegar as toras dentro do rio e preparar a ponte.

 

Nessa hora o George, Zequinha do Jeguinho, e cidadão de Caruaru (Pernambuco), diante dos seus 65 anos, mostrou que a experiência faz a diferença e assumiu a construção e segurança das nossas pontes. Todos trabalhando em conjunto meteram as mãos nas ferramentas e começaram a construir, ou melhor, reconstruir nossa primeira ponte. No grupo os ajudantes diretos e mais batalhadores foram o André (BSB) e David (BH), orientados pelo nosso engenheiro de pontes.

 

Cerca de três horas de trabalho e muita cautela fizeram nossa primeira ponte ficar pronta, salientando que os Neves fizeram o trabalho anterior de montar as escoras, mas nosso grupo aumentou a segurança e a possibilidade de poder passar as bitolas diferentes dos veículos. Foi uma luta, mas valeu cada segundo de adrenalina e apreensão pela passagem dos veículos.

Após esta ponte encontramos duas corajosas moças em uma moto, que estavam indo para Colniza e perguntaram o que diabos estávamos fazendo ali e que não conseguiríamos passar pelo Rio Machadinho e que o pessoal estava mais pra frente quebrando a cara. Não desistimos afinal a aventura estava apenas começando!

Como disse antes a Hilux da organização sempre à frente e uma pequena ponte que fizemos para passar em um riacho a Hilux ao sair dela escorregou a quase despenca em um buraco, corre pra lá, um fala, outro fala, rolou até ancora de barco pra segurar o carro. Esta ancora foi levada pelo Coelho, ainda conhecido apenas como Coelho. No final guincho Ironamn pronto e a Hilux presa na arvore e o grupo colocando calço pra poder evitar a queda no buraco, pois se caísse só sairíamos dali no outro dia. Vimos nesse riacho um material de camping, ou seja o grupo do Alcyr dormiu por ali. Após resgatar a Hilux o grupo ficou passando os demais veículos e enquanto isso eu e Engels saímos a procura de um local seguro para acampar. Ficar no meio da mata é perigoso, durante uma chuva uma arvore pode cair e arvores com mais de 3 metros de diâmetros caem sim.

Mais a frente à Hilux entrou em uma ponte e escorregou entre as toras, ficando presa.

 

O grande problema nas pontes eram as madeiras molhadas e os pneus cheios de barro e com isso deslizam. Chamei o Coelho pelo rádio, tinha sido o segundo a passar e com o Troller me rebocou pra trás. Deixei o Coelho cuidando de orientar o pessoal a passar nessa ponte escorregadia e segui com o Engels a frente em busca de um lugar perfeito para acamparmos.

Cerca de 1 km uma grande clareira e um lugar perfeito para acampar, água corrente pro banho, local relativamente seco e bem longe das arvores. Estava escolhido nosso local de acampamento.

O grupo chegou e começamos a preparar o local, montagem das barracas, redes, preparação do farnel e muita conversa sobre nossa grande aventura. Seguimos noite a dentro com as ultimas cervejas geladas, picanha preparada pelo Rubi e conversa fora! Este foi um grande dia!

Adendos:

Veículos/Grupo

O desempenho dos veículos foi acima do esperado, principalmente no quesito resistência. Parabéns para todos os veículos, mas principalmente para todos os pilotos e zequinhas. Em uma aventura, como essa, acima de tudo é importante a união e o trabalho em equipe. Aprendemos uns com os outros e acima de tudo criamos amizades fortes. Não são todos os que conseguem superar obstáculos como os que superamos.

O grupo é formado por pessoas com certa experiência em off Road, mas o Matteo e o Roberto (ITÁLIA) surpreenderam pela velocidade de aprendizado e pela segurança que sentiam naqueles que os orientavam. Uma grande revelação! Além dos Italianos tínhamos uma mulher no grupo que nos surpreendeu a Fabiana (BSB), que pilotando seu Jimny, ao lado do seu marido André, mostrou, apesar do medo, que é valente e competente no braço.

Aliás, todos sentiram medo em algum momento, não adianta, o medo faz parte de nossas vidas e é responsável, muitas vezes, por nos manter vivos!

O que surpreendeu no grupo foi a gana e a força de vontade em superar os problemas que surgiram durante nosso trajeto.


Off Road/Adrenalina

É fácil rodar 30 km e levar seu 4x4 para uma trilha, pisar fundo e qualquer coisa que dê errado ligar para um guincho, arrumar um reboque e levar pra oficina. Quando falamos em expedição e esta ser uma expedição Challenge, falamos em uma trilha pesada e perigosa, como muitas a poucos quilômetros de nossas casas, mas que ficam a milhares de quilômetros de nossas casas e principalmente a centenas de quilômetros de qualquer resgate.

Enfrentar a Estrada do Estanho nessa época do ano não é fazer uma trilha, mas sobreviver a um desafio e enfrentar seus piores medos. O risco de cair com seu veículo de cima de uma ponte feita com pedaços de arvores e amarrada com cordas a alturas de até 3 metros, sair ferido e perder seu veículo é eminente. Virar em uma erosão que engole seu veículo e ainda por cima sobreviver ao ataque de mosquitos que deixam sua pele completamente deformada e sangrando por dias não é fácil, não é para qualquer um. São poucos os que se aventuram dessa forma.

24/03/2010

9o dia da expedição

Acordamos com o Sol, noite proveitosa de descanso. Todos reunidos no café da manhã, alguns já tomados banho, tudo pronto para partir.

Recolhemos o acampamento e seguimos em frente para mais erosões e pontes para serem reconstruídas. Todos nós estávamos amando aquela aventura e agradecendo aos Neves por estarem um pouco a frente cortando as arvores caídas e abrindo picadas para desviá-las, menos um trabalho.

 

 

Mais erosões pela frente e todos ficando safo neste tipo de off Road, grandes poças de água com até 1 metro de profundidade no meio da mata, depois mais erosões, poucos atoladores, nada de mais para nossos veículos, os grandes desafios eram as erosões e as pontes podres e derrubadas.

 

Chegamos em uma ponte para fazer, pouco material ao redor, mas já havíamos recolhidos algumas tabuas e troncos na caçamba da Hilux, que foram essenciais para construir as pontes, ou reconstruir. Além da madeira o que permitiu a construção das pontes foram às cordas, que amarravam as toras roliças para passar com os pneus. Sobre orientação do George começamos a usar também cintas de catracas, o que acelerou a construção.

 

Em uma das pontes o Coelho sentiu o Troller correr e acelerou forte, quase atropelando o Rubi e chegou a passar por cima do pé, mas não teve nada grave. Na acelerada a ponte ficou destruída e começamos a refazê-la. Após este episodio o Coelho ficou apreensivo e começou a querer passar rápido de mais nas pontes e por isso foi colocado em último no comboio.

 

Nosso dia foi assim construindo e reconstruindo pontes, subindo e descendo erosões. Cada ponte a ser contuída o grupo gastava entre 2 e 3 horas. Tudo tinha que ser feito com muita cautela e sem espaço para erros. Neste dia todos os veículos foram encalhando e precisando de ajuda dos guinchos ou dos outros veículos.

 

Perto das 16:00 (horario de brasília) o grupo se depara com outra ponte. Esta a mais precária de todas. Era preciso buscar madeira na mata para reconstruí-la. Trabalho pesado no machado e com a ajuda de guincho para arrastar as toras.

 

Rodamos o dia inteiro e no final tínhamos percorrido quase todo o trajeto até o Madeirinha, que infelizmente estava mais de três metros acima do seu nível e era impossível passar pela ponte submersa e a única balsa, pertencente a um garimpo, tinha sido levada pela enchente.

Neste ponto encontramos o Alcyr e a família Neves e começamos o retorno juntos. Nosso objetivo agora era o local onde acampamos na noite anterior.

Como estávamos safo em pontes seguras e agora eram sete veículos para passar, fomos à frente preparando as pontes, uma por uma, foram seis ao todo o que significou doze pontes reconstruídas.

 

Os sete veículos, agora uma L200 2010 e uma Triton 2009 no grupo, começaram a enfrentar as erosões mais molhadas e profundas. O grupo do Alcyr não tinha enfrentado erosões tão profundas e tanta lama, pois choveu muito depois que eles passaram, para nosso grupo foi relembrar as erosões só que agora ao inverso.

 

Voltamos mais rápido e refazendo as pontes, um delas caiu assim que o último carro passou. Seguimos noite a dentro o que tornava as tarefas ainda mais difíceis. Cerca de oito da noite chegamos ao local do acampamento da noite anterior e novamente começamos os trabalhos para uma noite de conversas e comidas, só que sem cerveja, nem quente! Nesta noite o Coelho passou a ser chamado de “Grande Coelho Roncador”, devido ao ronco alto e constante.

 

Fatos do dia:

  • Muitos atoleiros dentro das erosões deixando mais divertida a passagem.
  • Mais pontes para refazer.
  • Impossibilidade de passar pelo Rio Madeirinha.
  • Encontro com a família Neves
  • Comprovamos mais uma vez que somente os fortes sobrevivem.
  • Retorno para o acampamento da noite anterior.

 

 

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Indice

 

  • 2010 - Início da Expedição
  • 2010 - Dia 1, 2, 3 e 4
  • 2010 - Dia 5, 6 e 7
  • 2010 - Dia 8 e 9
  • 2010 - Dia 10, 11 e 12
  • 2010 - Dia 13, 14, 15 e 16
  • 2010 - Final da Expedição
  • 2010 - Considerações Finais
  • 2010 - Do grupo TAC 2010
  • 2010 - Visão estrangeira da floresta amazônica
  •  
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